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SAIBA MAIS SOBRE O CANADÁ

Bom sobre estudar e viver no Canadá

A vida no Canadá tem coisas boas e ruins e tal como a moeda tem dois lados a vida aqui também tem dois lados.

Eu poderia dizer que o país tem pontos altamente positivos no que se refere a viver aqui e entre eles destaco:

  • a violência (ou a inexistência dela) - preocupação existente no Brasil, aqui praticamente não existe - os níveis de homicídios, furtos, roubos, etc. são baixíssimos nas cidades com menos de 500 mil habitantes.
    Alguma violência existe em cidades maiores, mas nada que preocupe ou exija cuidados especiais. Empresas que aqui são raras ou “quebrariam” pela falta de clientes: segurança privada, blindagem de veículos, segurança de bairro, monitoramento de casas e vizinhança. Os problemas com violência são os relacionados com drogas, gangues e disputas nas cidades maiores, mas tudo em níveis toleráveis. O interior é muito calmo.
  • a saúde: saúde toda estatal e eficiente. Tive a minha segunda filha aqui, Alice, dias atrás por sinal e posso dizer por experiência – foi melhor que no sistema privado no Brasil. O Hospital é sensacional, estrutura de primeiro mundo e pessoal altamente qualificado e preparado. Tivemos monitoramento com enfermeiras 24 horas por dia. Uma assistente deve vir aqui em casa essa semana para ver como anda o bebê. Faltam médicos e profissionais da área médica (enfermeiras, dentistas, etc.) no país. No geral, problemas existem, mas o país consegue atender a demanda satisfatoriamente.
    Aqui funciona o sistema de médico da família e temos um médico excelente que confiamos e gostamos.
  • a educação – mais uma vez espetacular – aqui funciona o sistema de escola de bairro, onde seu filho(a) deve ser matriculado na escola perto da sua casa. Não há escolha. Somente no caso de escolas particulares (que igualmente são boas) é que se pode estudar onde quiser. Mas são poucas e caras as escolas privadas.
    Aconteceu um fato interessante aqui com nossa filha Raphaela logo no começo. Um dia em que fui levá-la à escola que é pública, vi a professora comunicando que uma amiguinha não iria mais porque estaria se mudando. Eu perguntei para onde, se para Vancouver ou outro lugar e ela disse que não – ela estaria mudando de bairro e não mais poderia estudar na escola. A Raphaela vai perder (porque estamos em férias escolares aqui) as duas melhores amigas (Sarah e Kendra) que mudaram de bairro. Ficamos até tristes!
    Existem escolas privadas, públicas e públicas católicas e nesse caso a criança deve ser católica para ser matriculada.
  • transporte – tal qual os Estados Unidos, as cidades aqui são esparramadas. Aqui também é o país do carro. London, a cidade que moramos, tem 350 mil habitantes mas sua extensão territorial chega quase à extensão territorial urbana de São Paulo capital – sem contar a região metropolitana, pasmem! Da minha casa ao aeroporto é uma avenida só que tem mais de 14 quilômetros.
    O transporte público aqui é estatal (municipal) e eficiente também. Linhas passam pelas principais avenidas da cidade e se consegue-se ir a todos os pontos principais de ônibus. Inexistem terminais e o que vale aqui é um passe mensal que dá direito a andar quantas vezes quiser de ônibus dentro do mês. No meu caso, que estou na universidade, o meu passe é quadrimestral e vale nesse período da Universidade que eles chamam de termo (term) e está incluso no custo da “quadrimensalidade”.

    Lembrando que moro a 1.5 Km da universidade que para eles é perto. Aqui tenho 1 carro, no Brasil tínhamos 2. Com essa distância nem tão grande, vou de ônibus para a universidade pois o ônibus é “de graça” e pontual.

    Outro fator é o custo do estacionamento na universidade, em torno de 12 dólares por dia, o que estimula o uso do transporte coletivo.
    Para o resto usamos o carro, compras, passeios e todo lugar tem estacionamento gratuito e fácil (é o famoso jargão no parking no business), exceto no centro.

  • custo de vida – não tem comparação não pelo que se paga, mas pelo que se ganha. A população em geral tem condições de comprar os bens de uso básico de cada família. Não se paga imposto para alimentos de primeira necessidade - leite, ovos, manteiga, pão, etc. Só para alimentos ditos como supérfluos (chips, chiclete, guloseimas, etc.)
    Bens duráveis (veículos, eletrônicos, eletrodomésticos) em geral são ainda mais baratos e custam a metade do preço do Brasil em reais.
  • a economia – extremamente estável. Sem inflação ou muito baixa. Estou há um ano aqui e o preço do leite e do pão não mudou. A gasolina é barata e varia conforme a cotação do barril internacional – algo entre 0,70 cents até 1,10 – ou algo como R$1,30 e R$2,00 – mas oscila para cima e para baixo e não só para cima. No inverno costuma ser época de preços mais elevados diminuindo no verão.

    O que impressiona é que nada tem aumento de 10 a 30% como ocorre no Brasil anualmente com alguns preços controlados (telefone, energia, etc.) e mesmo com os preços privados, pelo menos no que tenho sentido no bolso ou nas minhas contas de telefone, celular, energia e nas compras do mercado.

Pontos negativos:

  • Falta de identificação com a terra – esse excesso de imigrantes muda a cara do país. Falta identidade com a terra e isso penso que é importante. Aqui a heterogeneidade gera pouca integração e interação. Cada um vive no seu “mundo”. O americano está tendo que aprender espanhol e o excesso de imigrantes coloca em risco à própria cultura local do Canadá que vai se enfraquecendo diante de tanta gente que ignora o que acontece por aqui.

 

  • Clima – esse sim, penso, é o grande problema do país, mesmo para quem mora aqui. A temperatura chegam a -20, - 30 graus. Inverno rigorosíssimo, neve que pode chegar a seis meses por ano em algumas regiões e  que tira a sua mobilidade. Isso favorece o isolamento das pessoas que já são heterogêneas. Há a depressão de inverno. O ser humano depende de sol e de calor e com dias mais curtos ocorrem problemas de saúde pública. Porém a estrutura para enfrentar o frio é sensacional – tudo calefado – até ônibus. Não se passa frio aqui – se bem agasalhado – e usualmente as roupas aqui são especiais para suportar o frio. Sofre-se com seus efeitos sim.

 

UNIVERSIDADES
- a educação: as universidades no país em sua maioria são públicas, porém os alunos pagam. O termo público porque as universidades canadenses na sua maioria recebem subsídio de recursos públicos e privados.

As universidades são “centros” ou capitais do conhecimento. Ou seja: não pode existir dois centros na mesma cidade ou mais de uma ou duas capitais na mesma região ou Estado. São poucas as universidades aqui, se comparado com outros países, e que são verdadeiros centros do conhecimento. Todas muito boas. Salvo algumas pouquíssimas exceções à regra, não há universidade “mais ou menos” aqui. A regra é pela excelência. Os recursos públicos e privados e a energia são canalizados para a universidade.

Posso dizer sem sombra de dúvida que as universidades canadenses estão entre as melhores do mundo.
Quando cheguei na universidade de Western Ontario (que fica em London – Ontario) fiquei impressionado com a quantidade de material para pesquisa. Como atuo na área jurídica nossa fonte de pesquisa situa-se basicamente no material publicado disponível, seja físico ou não. A biblioteca é gigantesca.  A estrutura não física para pesquisa inclui a utilização gratuita de sites jurídicos especializados como LexisNexis, WestLaw Carswell dentre outros e recebemos, enquanto alunos, logins e senhas para utilizarmos os sites livremente.
A estrutura física é invejável. Prédios, clínicas, laboratórios, hospitais, todos equipados com os melhores produtos do mundo e alta tecnologia para pesquisa.

Penso que falta muito ainda para que o Brasil se iguale ao nível de pesquisa das universidades canadenses. Há muito investimento privado. Na cidade, por exemplo, há uma indústria da 3M (adesivos e outros materiais similares). Eles têm um prédio próprio na Universidade para pesquisa. E esse é apenas um exemplo de como a comunidade como um todo se envolve com a universidade e centros de pesquisa.

O Estado incentiva a pesquisa com destinação de recursos. Portanto há recursos financeiros, há material humano e estrutura para a pesquisa em todos os campos. O país carece aliás é de pesquisadores e eles têm buscado fora o que os não possuem aqui.

Dica
O apoio a quem chega também é sensacional. Tive diversos cursos de auxílio ao estudante estrangeiro. Workshops, clínicas de inglês e conversação, incentivo a com outros estudantes de outras nacionalidades e áreas, etc.

Não há pontos negativos. Com 37 anos e fazendo mestrado, me arrependo de não ter vindo 5, 10 anos atrás. Uma experiência extraordinária que abre a cabeça das pessoas e campo para o mercado de trabalho, certamente garantido, para quem sai de uma universidade aqui.

Atenciosamente,

Fábio Chagas Theophilo
23/07/2009


Fábio Chagas Theophilo com a sua esposa,
Wal Theophilo
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